Artigo - O Hitmaker

O que Baby One More Time (Britney Spears), Shake it Off (Taylor Swift), I Kissed a Girl (Katy Perry), So What (P!nk), That’s The Way It Is (Celine Dion), Can’t Stop The Feeling (Justin Timberlake), I Want It That Way (Backstreet Boys) e It’s My Life (Bon Jovi) tem em comum?

Todas essas músicas foram feitas por um fera chamado Max Martin.

Esse compositor e produtor musical, nascido na Suécia, tem uma carreira com mais de 20 anos de sucesso e hits atrás de hits. Ele tem 22 números #1 na lista da Billboard, 6 a mais do que ninguém menos que Michael Jackson. Ele só está atrás de Paul McCartney e John Lennon.

O que faz ele tão bom no que faz?

É bem difícil encontrar algum material com entrevistas ou vídeos dele, mas o pouco que se acha por aí, dá pra ter uma ideia do motivo.

Ele afirma que se fosse apenas pelo dinheiro, ele não faria o que faz. Para Martin, música deve ser divertida, inspiradora e cheia de emoções.

Um das coisas que podemos afirmar é que ele gosta de música boa. Independente de estilo musical.

Ao receber o Polar Music Prize, ele citou, Kiss, ABBA (afinal ele é da Suécia), Prince, entre outros.

Sua base de Heavy Metal e crescendo em um país de cultura Pop como a Suécia, Martin misturou o que há de melhor em toda a música boa.

Inspiração.

Existe fórmula para um Hit?

Talvez. Vamos aos fatos e padrões que achei nas músicas dele e um pouco de pesquisa pelas interwebs.

Max Martin afirmou em algumas poucas entrevistas que a melodia é o principal padrão de suas composições. Ele não se preocupa com a letra até que linha melódica da voz esteja pronta e do jeito que ele imaginou.

Depois disso, a letra precisa ter um número exato de sílabas para encaixar na linha melódica que ele criou. Depois disso é tudo um espelho e repetição.

Ele usa bastante duas ou três variações na música, tendo como um padrão a mesma progressão de acordes do verso e do refrão.

Ele diz que se o refrão tem os mesmos acordes dos versos, o ouvinte vai ter a percepção que a música já é familiar. O que muda mesmo é a energia e o jeito de cantar de cada linha melódica que se repete durante a jornada da música.

Ele acredita que os elementos da música precisam ser introduzidos para o ouvinte aos poucos, tendo como filosofia a simplicidade de seus arranjos e elementos. Suas músicas, em essência, são simples.

Suas músicas são equilibradas do ponto de vista de estrutura. Verso, pré-refrão e refrão e uma ponte no meio.

Estrutura “padrão” de um Hit pop

Outra coisa que Max já afirmou também é que o primeiro refrão da música deve ser tocada antes de 50 segundos de música.

A música precisa ter uma ressonância de emoção no ouvinte. Você precisa querer dançar e sentir alguma coisa.

O foco de Martin sempre é a emoção da música.

Ele afirma que o ouvinte tem que ter pelo menos duas partes favoritas da música. Por isso a variação ou ponte sempre é importante para a puxada final do refrão.

https://open.spotify.com/user/spotify/playlist/37i9dQZF1DWXDAhqlN7e6W

Sobre o tempo das músicas. Na playlist do Spotify acima dá pra perceber que suas músicas seguem um “padrão” entre 3:10 minutos e 4 minutos de duração. É um tamanho bom para tocar na rádio ou ter um vídeo clipe.

Mas vamos para um exemplo mais prático.

Estudo de Caso

Vamos analizar a música “Shake It Off”, interpretada por Taylor Swift.

Música abaixo.

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Se você não tem Spotify, pode acompanhar pelo YouTube:

A música tem uma pequena introdução apenas com bateria. Com 5 segundos de música, já vem o primeiro verso.

Com 28 segundos começa a puxada para o refrão, chamamos de “hook” ou pré-refrão. Há uma variação de acordes nessa parte. Alguns elementos novos são apresentados.

Com 41 segundos de música já temos o refrão (abaixo dos 50 segundos que Martin gosta). Com progressão de acordes igual a progressão de acordes da estrofe, que durou 23 segundos.

O refrão vai até 1 minuto e 6 segundos de música. O refrão foi repetido duas vezes. Agora o ouvinte já está familiarizado com a música inteira. Agora a música vai como um espelho do começo até o final.

Em questão de arranjo, há uma pausa da bateria. Ficando somente a voz da cantora nesse novo verso.

Daí em diante a música se repete com alguns novos elementos como vozes dobradas e backing vocals. No segundo refrão, ele se estende por mais 1 vez repetindo incansavelmente o nome da música “Shake it off, shake it off!”.

Ao fim do refrão, a quebra (ou ponte) da música aos 2 minutos e 18 segundos.

Nesse momento, apenas a bateria marcando o ritmo já dançante da música (pode falar que você está dançando na cadeira. Eu estou). Taylor, com uma voz com efeito, começa a falar e depois canta uma nova linha melódica para essa variação. No final, uma pausa sem instrumentos e volta para o refrão novamente.

Agora é a hora de brilhar. Várias vozes dobradas, backing vocals e repetição do refrão até que você decore a letra.

Enfim a música acaba.

O que tem de tão especial nessa estrutura e nesse tipo de composição que dá tão certo com ele?

Agora vou para a minha opinião.

A coisa mais importante pra essa “fórmula” funcionar é o talento e bom gosto do compositor.

Compor músicas com essa estrutura, nem sempre vai dar certo.

No mundo da música, muita coisa conta. Visual, marketing, contexto, demanda, entre outras coisas.

Lembrando que Max Martin faz músicas para artistas já estabelecidos ou gravadoras dispostas a investir pesado para o sucesso.

O instinto dele para um hit é a maior ferramenta dele. Existem vários compositores incríveis como ele por aí.

O importante é fazer, fazer e fazer.

Ele achou a voz dele e continua criando músicas que todo mundo sabe cantar.

Suas música são extremamente simples. Chega a dar raiva de tão óbvio.

O que aprendi muito com a pequena pesquisa para esse post é que eu, você e milhares de pessoas pelo mundo, somos fãs dele sem nem sabermos.

Essa simplicidade de apenas fazer o que ama sem querer os holofotes é admirável. Max pode ir no mercado com sua família sem ter que lidar com fãs.

Mesmo assim, sua fortuna está avaliada em 300 Milhões de dólares.

E aí? Já começou a compor o próximo number #1 da Billboard?

Eu ainda estou tentando.