Artigo - Musica Boa x Música Ruim

Um belo dia, resolvi me aventurar no mundo da produção musical. Depois de ter dezenas de bandas covers e autorais, nunca consegui gravar nada razoável na vida. Não há nenhum registro oficial de nenhuma das minhas bandas.

Fiz várias músicas durante a vida, mas elas estão gravadas apenas na minha cabeça e na memória dos meus amigos de banda.

Foi então que, conversando com meus amigos de bandas já póstumas, resolvemos finalmente tentar o processo de gravação das nossas músicas, pra pelo menos existir um registro digno do nossos esforços em ensaiar todos os domingos 10 horas da manhã.

Cada um mora em um lugar, esse é o primeiro desafio, mas com a tecnologia de hoje, dá pra gravar tudo remotamente.

Mas e quem vai produzir e mixar esse álbum? Bem… eu me ofereci.

Comecei a estudar mixagem e produção e brincar de gravar demos em casa. Fiz milhares de tutoriais de YouTube e entrei pra grupos de Facebook para produtores e engenheiros de som.

Cada um tem uma regrinha diferente, mas já escolhi meus tutores preferidos nesse mundo da internet, mas isso é um assunto para um próximo texto.

Em um desses grupos de Facebook (o Facebook, sempre ele), você começa a ver os discursos que não combinam com você.

“Se você não tiver 5000 dólares pra montar seu home studio, nem comece nessa carreira”, uns dizem.

“Não use nenhum programa de mixagem que não seja o Pro Tools. É o padrão e standard da indústria.”

“Qualquer microfone que custe menos de 500 dólares, não presta. Eles são feitos na China e nada de lá presta”.

“Você precisa de equipamentos analógicos pra gravar! Amplificadores eu tenho mais de 10. Meu rack tem 4563 Equalizadores, Compressores e Pré-Amplificadores pra ter o melhor som que você pode ouvir”.

Regrinhas e mais regrinhas, mas nunca me meti em nenhuma dessas tretas, pela razão de… 2018, né?

Sim, 2018 é a razão d’eu não acreditar em nenhuma dessas baboseiras.

Vou pegar uma fala famosa do publicitário genial Bill Bernbach, que dizia, “Se seu anúncio não for notado, todo o resto é acadêmico”.

Eu digo que se sua música não for boa, todo o resto é acadêmico.

Um disco ruim gravado em um estúdio com equipamentos de mais de 150 mil dólares, é um disco ruim caro pra cacete.

Há quem desafie esses “padrões” da indústria com uma visão bem positiva e inspiradora. Caras como Graham Cochrane, que ensina como começar a gravar suas músicas com menos de 350 dólares em equipamentos, é um desses caras que admiro. Outro cara que adoro ouvir é o super positivo Warren Huart, que diz que o melhor programa pra mixagem é o programa que você sabe usar. Ele também inspira bastante, dando aulas de graça no YouTube e dando Multi-Tracks pra você praticar suas mixagens.

É de gente assim que precisamos pra desafiar a indústria. O Warren já fez mixagens pro Aerosmith, por exemplo. Tudo gravado em Tapes e com verba insana, mas ele mesmo diz que pega um projeto desse a cada 2 anos. Na realidade, as gravadoras e os artistas não tem mais essa verba toda.

A realidade de hoje é bem mais simples. As bandas novas gravam as baterias em estúdio, ou até mesmo apenas programam a bateria e o resto todo grava-se plugado diretamente no computador usando apenas uma interface de áudio. Um microfone bacana e um edredom atrás pra abafar já é o suficiente para um disco ficar pronto.

Pode ser até mais simples.

Steve Lacy, um menino de 18 anos, que está por trás de produções como Kendrick Lamar, cria suas músicas no Garageband do iPhone. Isso mesmo.

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Ele não quer nem saber se existem microfones de 10000 dólares que são usados por Adele ou Kate Perry, ele só quer saber da parte criativa da música. Ele grava com um filtro na frente do microfone do iPhone mesmo. Genial. :)

Estamos em 2018, a tecnologia está aí pra ajuda. Não é uma disputa. São as ferramentas que temos hoje pra agilizar as coisas.

Para fechar, recomendo o excelente livro do produtor Jesse Cannon chamado Processing Creativity que fala durante o livro inteiro:

“Música é sobre ressonância das emoções. Todo o resto é apenas fórmula acadêmica.”

Então finalizo aqui meu texto te dizendo.

Não se preocupe com qual equipamento ou programa as pessoas criam músicas. As músicas são criadas na sua cabeça e coração.

Deixem os profissionais serem profissionais e os amadores serem amadores.

O importante mesmo é que só existem dois tipos de música.

As que você gosta.

E as que você não gosta.